Yorranna Oliveira

Achei a imagem aí de cima pesquisando no Google. E ela define perfeitamente um pouco do que eu sou e da proposta do blog: tem de tudo um pouco, e um pouco de quase tudo o que gosto. Aqui você vai encontrar sempre um papo sobre música, cinema, comunicação, literatura, jornalismo, meio ambiente, tecnologia e qualquer outra coisa capaz de me despertar algo e a vontade de compartilhar com vocês. Entrem e divirtam-se!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal e música

Então é Natal

Fotos: Google

Ele chegou de novo. Deixou as ruas congestionadas, lojas intransitáveis. A cidade ficou mais quente e o calor pareceu piorar. Nossos bolsos ficaram mais vazios e o comércio nunca faturou tanto como nesse final da primeira década do século XXI.

Mas o Natal trouxe a saudade, o amor, a alegria, a solidariedade.Famosos e anônimos fizeram seus eventos, arrecadaram brinquedos, alimentos, roupas, agasalhos. Crianças e famílias despossuídas ganharam a concretude de seus sonhos. Ainda tem gente por aí com esperanças de realizar os seus. Sonhos bem simples: um prato de comida, uma bola de futebol, uma boneca, um livro, a família reunida.


Nos dias 24 e 25 as pessoas se alegram. Outras se entristecem. A saudade de quem está longe vai cortando tudo por dentro. Dá vontade de ligar, de estar junto para um abraço bem forte e apertado, daqueles que demoram a eternidade para não nos esquecermos do outro até o próximo Natal. Uns mandam cartões, outros ligam, enviam emails, torpedos. Até quando não gostam da data, superam a falta de vontade de compartilhar e desejar que o Natal seja bom e feliz. Quando se gosta de verdade, lembrar do outro, agradar o outro não é sacrifício, é ato de carinho, de respeito, de amor. Alguns até conseguem vencer a distância, aparecem ali na nossa frente e se transformam nos verdadeiros presentes da festa.

Aproveite o dia de hoje pra dizer o que você não pronuncia o ano inteiro, leitor. Aproveite pra fazer pelas pessoas que você diz que ama aquele gesto esquecido no vai e vem do cotidiano.

Feliz Natal.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sugestões de presente

Martha Medeiros (Dezembro de 2000)

Natal é um estresse, admita. Lojas atoalhadas, um calor do inferno, você gastando o que tem e o que não tem. Por isso resolvi dar uma mãozinha, preparando uma lista de sugestões de presentes que você pode providenciar hoje mesmo um custo zero.

Para sua irmã: diga uma vez na vida que você acha ela lindíssima. Confesse que foi você que manchou a blusa dela e prometa, em troca, emprestar sua mochila favorita. Faça melhor: arrume o quarto daquela bagunceira.
Para seu primo: perdoe aquela dívida. O cara é um duro. Você também é, mas pode se dar ao luxo de ter um coração mole em datas festivas.

Para seu pai: chame-o para uma conversa, diga a ele o quanto você o ama, o quanto reconhece o esforço que ele fez por você. E vá com ele no Aeroclube ver aquela exposição de aviões de guerra, ele te convida desde que você tem cinco anos de idade.

Para sua mãe: peça desculpa por aquela dramatização barata que você fez no sábado, com direito a histeria e porta batendo, tudo porque ela não te compreende. Aí aceite a sugestão que ela deu para organizar a prateleira do banheiro. E, por último, dê uma carona pra ela até a casa da sua tia e surpreenda-a dizendo: “Vou entrar para dar um beijo no pessoal, estou com saudades de uma reunião familiar”.

Para seu marido: pergunte o que ele quer comer na noite de Natal. Peça para ele sugerir um local pra vocês tirarem um dia de descanso. Deixe ele escolher a lingerie pra você. Ache ótima a ideia de fazer um churrasco para a turma do futebol. Enfim, dê o amor da sua vida a oportunidade rara de ter suas opiniões aceitas.

Para sua esposa: diga que se você tivesse a chance de voltar no tempo, era com ela que casaria de novo. Enfrente o shopping com ela sem olhar uma ÚNICA vez para o RELÓGIO. E quando passarem por um espelho repita: “Mas você está magra mesmo”.

Para o colega de trabalho, a empregada, o zelador: idem. Incentivo, força, carinho. O melhor presente é demonstrar o que a gente sente.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Uma lista dos filmes da década

O convite do amigo Adison chegou semana passada. Fazer uma lista dos dez melhores filmes da década e postar no meu blog.Ele faria também a dele -veja aqui. Ideia que seria concretizada em seguida pelo estudante de Comunicação Social, Eraldo Paulino - confira os dez melhores na opinião dele aqui. Resumir dez anos de cinema em uma lista não é convite, é desafio. Nessas horas o que vem à memória sempre são os filmes que te marcam. Se te marcam é porque são bons. A lista que você, caro leitor, vai ver nasceu assim, de lembranças, de marcas, de toques. Nasceu do sentimento, da minha relação com cada filme, do meu estado de espírito quando vi cada um desses filmes, da minha carga cultural pra fazer comparações, estabelecer relações e entender a trama construída dentro das próprias tramas. Não se trata de uma lista definitiva, listas jamais significam isso. Mas listas abrem possibilidades de discussão e descobertas. E isso é sempre válido. Sempre.

10 – O labirinto de fauno (2006)
Um dos filmes sobre o mundo imaginário e o mundo real mais fantásticos que já vi. É conto de fadas sem clichês e pieguice, real na medida do possível, encantado na medida certa.

9 – Árido Movie (2005)
Um dos poucos filmes brasileiros que desestabiliza a forma acomodada de fazer cinema no Brasil. Água, religião, drogas, cinema, amizade, família. Romance, aventura, humor, drama. Tudo junto e misturado em atuações pra lá de bacanas. Selton Mello está hilário. A cena dos amigos correndo e pulando livres, leves, soltos e alegres numa plantação de maconha é impagável. Um road-movie obrigatório em qualquer estante.

8- Closer - Perto Demais (2004)
A primeira coisa que te pega de jeito nesse filme é a trilha sonora. Pode ter certeza, ela vai te arrebatar por toda uma vida. Você vai lembrar dela naqueles momentos de dor e fossa. Mas Closer não se resume à música, é que ela é tão perfeita na trama, tão bem encaixada que vira protagonista também. Fundamental.

7 – Crash - No Limite
Quando a vida não te dá uma porrada, a arte assume a tarefa. Crash é assim: uma porrada cinematográfica na nossa visão acomodada e pré-estabelecida. Depois desse filme, seu olhar dificilmente será igual. O mundo do lado de fora da nossa casa terá se transformado.

6 - Juno (2007)
Divertido, real, colorido, bonito. Juno é isso e bem mais. É um filme sobre conflitos, dúvidas e escolhas que permeiam a vida de qualquer adolescente desde que o cinema descobriu estes jovens. De certezas típicas dessa idade à gravidez na adolescência e aborto, Juno teria tudo pra ser um filme repleto de clichês do início ao fim, como é comum em obras que abordam esse tipo de assunto. Mas Juno percorre um caminho bem diferente e por isso é tão bom, numa trilha sonora muito bem escolhida e na atuação impecável de Ellen Page, eternamente Juno.

5 – Fale com ela (2002)
Não faria uma lista sem colocar um filme de Pedro Almodóvar, uma dos grandes nomes do cinema contemporâneo. “Fale com ela” merece o quinto lugar pela s histórias improváveis que se entrelaçam, tão habilmente conduzidas pelo mestre, pela trilha sonora com música de Caetano Veloso em destaque e muito, muito mais. Se você ainda não viu, assista.

4- Piaf – Um hino ao amor(2007)
Cinebiografia de uma das vozes mais belas da música mundial. Mostra a vida conturbada da diva francesa que sucumbiu em nome do amor. Marion Cotillard, vencedora do Oscar de melhor atriz em 2009, encarna essa Piaf que amava, numa atuação digna das grandes divas. “Um dos mais impressionantes mergulhos de uma artista no corpo e na alma de outra artista que jamais vi no cinema”, muito bem definiu o jornal The New York Times.

3- Bastardos Inglórios (2009)
Não é o melhor filme de Tarantino, mas me fez achar o Brad Pitt um bom ator e não imaginar outro fazendo o papel canastrão. As cenas absurdamente violentas continuam, e divertidas também, o banho de sangue então. E a trilha sonora sempre escolhida a dedo, por Tarantino, encaixa tão perfeitamente com as cenas da película. Bastardos Inglórios é a visão de um período quase surreal da história mundial: o nazismo.

2- Tropa de Elite (2007)
"Wagner Moura dá vida ao Capitão Nascimento de tal maneira que é impossível não admirar o trabalho do ator, embora seu personagem seja quase um animal de caça. Sua atuação é inquestionavelmente impressionante, ganhando força até mesmo quando ele pontua a narração com um “amigo” (repetido várias vezes) em finais de frase. Os personagens secundários também brilham, mas é o Capitão Nascimento que coloca ordem na casa auxiliado pelo roteiro esperto e pela edição vertiginosa, duas grandes qualidades de seu filme primo, “Cidade de Deus”, que “emprestou” Daniel Rezende (edição) e Bráulio Mantovani (que assina o roteiro a seis mãos com José Padilha e Rodrigo Pimentel).

'Tropa de Elite', intenso enquanto cinema, instável como mensagem, um quase grande filme", Marcelo Costa, Scream e Yell. Leia mais aqui:">">

1-O segredo de seus olhos (2009)
Escrevo aqui o que já disse em uma postagem sobre o filme. Ele arrebata e faz você se apaixonar. Aliás, a essência de “O Segredo dos seus Olhos” gira em torno da paixão, de nossas paixões. Os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas também se renderam ao thriler policial, dirigido por Juan José Campanella, com roteiro baseado no livro “La Pregunta de Sus Ojos”, de Eduardo Sacheri. Afinal, o elevaram, em 2010, à categoria de melhor filme estrangeiro.

E qual o segredo do diretor Juan Campanella para conquistar a estatueta dourada? Uma boa história. Ricardo Darín, inclusive, deu esta mesma resposta em uma entrevista coletiva. “Todo mundo gosta de ouvir uma boa história”, disse. Juan a entrelaça em tramas paralelas; atuações no ritmo certo. Coloca doses de suspense, ação (fique atento à cena no Estádio Huracán, com um plano - sequência de quase seis minutos - o que o diretor faz com a câmera impreesiona e tira o fôlego). De quebra, Campanella temperou tudo com drama, romance e humor – Guilhermo rende cenas impagáveis e dá o tom de leveza ao enredo. E graças a ele, também, desvendamos o segredo do assassino. “Podemos mudar tudo na vida, menos uma paixão”.

E o desfecho do filme surpreende.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Devassa cultural e virtual

Fim de ano. Natal. Ano Novo. Festas. Dívidas. Momento de exercitar o desapego e de honrar compromissos. Por isso, queridos leitores, segue uma lista amiga dos livros que estou vendendo nessa primeira edição da “Devassa Cultural” para que 2011 chegue levinho, levinho. O nome deste evento virtual saiu da mente do amigo Ádison César, quando ele soube que eu iria me desfazer de uma boa parte da minha biblioteca em nome do bem-estar do meu bolso. E na próxima semana vou abrir a minha estante e compartilhar revistas,discos e filmes.

Dúvidas, retornem através do email: yorrannaoliveira68@gmail.com

OBS.: Os títulos em negrito já foram vendidos. A cada nova venda atualizarei a postagem. Fiquem atentos.


1000 perguntas sobre jornalismo (Felipe Pena) - 8,00

Eugênia Grandet - (Balzac) - 6,00

A Filha do Silêncio - (Morris West) - 8,00

Liberdade de Imprensa (Karl Marx) - 8,00

O Mandarim (Eça de Queirs) - 10,00

A moreninha (Joaquim Manuel de Macedo) - 4,00

Mata-me por favor. Uma história sem censura do punk (Vol. I) – R$ 8,00

Mata-me por favor. Uma história sem censura do punk (Vol.2) – R$ 8,00

O jogador (Dostoievski) – 7,00

Trem-Bala (Crônicas de Martha Medeiros) – 8,00

Fragmentos (Caio Fernando Abreu) – 8,00

Belém do Grão Pará (Dalcídio Jurandir) – 20,00

O mulato (Aluísio de Azevedo) – 2,00

Inocência (Visconde de Taunay) – 15,00

Ana em Veneza (João Silverio Trevisan) – 8,00

Um rubi no umbigo (Ferreira Gullar) – 18,00

Estudos Liberais (Roque Spencer) – 12,00

Um rei brasileiro na África (Oswaldo Ballarin) – 10,00

A aventura da reportagem (Gilberto Dimenstein e Ricardo Kotscho) – 10,00

O marido complacente (e outros contos de Marquês de Sade) – 8,00

A arte e ciência de roubar galinhas (João Ubaldo Ribeiro) – 8,00

O Chefão (Mario Puzo) *sim é um livro que fala sobre a máfia – 10,00

O caso dos dez negrinhos (Agatha Christie) – 8,00

Crime e castigo (Dostoievski) – 10,00

Quem tem medo do escuro (Sidney Sheldon) – 15,00

Manhã, tarde e noite (Sidney Sheldon) –8,00

Juízo Final (Sidney Sheldon) –8,00

No princípio era o som. A minha grande novela (Regis Cardoso) - 6,00

O crime do padre amaro (Eça de Queirós) -2,00

Medeia (Eurípedes) – 5,00

Blecaute (Marcelo Rubens Paiva) – 6,00

Não és tu Brasil (Marcelo Rubens Paiva) – 8,00

O Ateneu (Raul Pompeia) – 2,00

Luzia Homem (Domingos Olimpio) – 2,00

O herói devolvido (Marcelo Mirisola) – 15,00

Sem trilha sonora (Miguel Luciano) – 5,00

O caçador de pipas (Klaled Hosseini) – 10,00

Bichos (Miguel Torga) – 10,00

Contos de Machado de Assis – 2,00

A estratégia de Lilith (Alex Antunes e sish) – 7,00

Quem matou Palomino Molero (Mario Vargas Llosa) -8,00

Geração Beat (Jack Kerouac) – 5,00

O mundo do sexo (Henry Miller) – 2,00

Manon Lescaut (Abade Prévost) – 2,00

Herois e covardes que o Brasil esqueceu (Clarisse Ribeiro) - 5,00

A menina que roubava livros (Markus Zusak) – 20,00

As penas do ofício. Ensaios sobre jornalismo cultural (Sérgio Augusto) – 15,00

Abalando os anos 90. Funk e hip-hop. Globalização, violência e estilo cultural – 8,00

Jovem Pan: A voz do rádio (Álvaro Alves de Faria) – 10,00

Na sala com Danuza (Danuza Leão) – 5,00

Ministério do Silêncio. A história do serviço secreto brasileiro de
Washingthon Luís a Lula 1927 -2005 (Lucas Figueiredo) – 10,00

Alice e Ulisses (Ana Maria Machado) - 5,00

23 minutos no inferno (Bill Wiese) – 8,00

O Código da Vinci (Dan Brown) – 8,00

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Amy no Brasil...


Foto: Divulgação

Fonte: Revista o Grtio!

Amy Winehouse vem ao Brasil em 2011 e faz show em quatro cidades, entre elas Recife, trazida pela produção doRecife Summer Soul Festival, no dia 13 de janeiro, no Pavilhão do Centro de Convenções. Organizado pela Raio Lazer, é o único show que Amy irá fazer no Nordeste. Os ingressos variam de R$ 300 (Front Stage), R$ 200,00 (pista) e R$ 100,00 (meia entrada para a pista).

Pra quem mora na região Norte, em especial em Belém, e quer ver a apresentação da cantora ir para Recife é a opção mais vantajosa e viável, como se trata de um Festival, se Amy decepcionar as outras atrações podem fazer valer cada centavo do dinheiro investido.

Em respeito aos fãs da cantora, a produção do Recife Sumer Soul anunicou que a venda de ingressos entre a 0h e 23:59h do dia 1º de dezembro (quarta-feira) através do www.ingressorapido.com.br seriaá direcionada para os fãs cadastrados em fã-clubes oficiais. E somente a partir da 0h do dia 02 de dezembro (quinta-feira), a venda dos ingressos seria aberta ao público em geral.

Os bilhetes começam a ser comercializados a partir do dia 01 de dezembro através do site www.ingressorapido.com.b. Já os pontos de venda passarão a comercializar os ingressos ainda na primeira quinzena de dezembro em local a ser anunciado.

Como a proposta do festival é soul, além de Amy Winehouse, completam a escalação os norte-americanos Janelle Monáe e Mayer Hawthorne. Segundo a Raio Lazer, responsável por shows do Black Eyed Peas e Iron Maiden, a estrutura do evento vai prezar pelo conforto. “Temos certeza que o show no Pavilhão vai ser inesquecível, pois contamos com uma estrutura de que não dispúnhamos no Jockey Club”, disse em nota Maguila, sócio-diretor da produtora.

Amy começa sua turnê pelo País com show em Florianópolis dia 8 de janeiro. Depois segue para o Rio de Janeiro, onde faz dois shows dias 10 e 11. Na capital carioca, os ingressos já estão com cerca de 70% dos bilhetes vendidos. A cantora segue em seguida para Recife e por fim em São Paulo, dia 15.

A estrutura do Festival terá o famigerado front stage, aquela área vip que afasta os fãs que não podem pagar. Mas nem todos os shows internacionais de 2011 ganharão a estrurura. O U2 proibiu em contrato que sua apresentação da turnê 360º tivesse um espaço vip. Alegando que o espaço pratica segregação, a banda deixou que cada fã encontre o melhor lugar de forma igual. A Time For Fun, empresa que traz os irlandeses ao país disse que “nunca aboliremos a área vip”, em entrevista à Veja, esta semana. A alegação para os preços exorbitantes, muitas vezes pagos não necessiariamente por quem é fã, diz respeito ao conforto.


Serviço
Recife Summer Soul Festival – I Edição
Data: 13 de janeiro de 2011.
Horário: 21h
Local: Pavilhão do Centro de Convenções de Pernambuco
Ingressos – a partir de 01 de dezembro no www.ingressorapido.com.br. Pontos de venda físicos serão anunciados ainda na primeira quinzena de dezembro.

Valores:
Front Stage – R$ 300 (4.000 ingressos)
Pista: R$ 200,00
Meia Entrada: R$ 100,00 (apenas para pista)
Abertura dos portões: 19h

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Twitter e pensamento

No Brasil, a estudante de Direito Mayara Petruso perdeu o estágio, foi insultada por gente de todo o Brasil, graças a infeliz sugestão feita no Twitter de afogar os nordestinos (na opinião dela, e de outros mais por mais absurdo que possa parecer, eles foram os responsáveis por eleger Dilma ao posto mais importante da nação). A OAB de Pernambuco encaminhou ainda notícia-crime ao Ministério Público Federal de São Paulo para que Mayara responda penalmente pelos crimes de racismo e incitação pública à prática de crime.

No Reino Unido a coisa ficou bem mais feia pra quem resolveu 'desabafar' na TL. Olha só: http://www.cartacapital.com.br/tecnologia/pense-antes-de-teclar

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O mundo fashion quer você. Ou não!

Depende. Se você mora nas regiões sul e sudeste, já pode se candidatar as vagas abertas para o mercado da moda, desde que preencha as habilidades e requisitos da vaga. Confira e boa sorte.

Assistente de Estilo
SP-São Paulo

Estilista - Infantil
PR-Curitiba, SC-Blumenau, SP-São Paulo

Comprador(a) de Calçados Femininos
RJ-Rio de Janeiro

Gerente de Marketing
SP-São Paulo

Estágio na área de Produto
SP

Blogueiro
SP-São Paulo, SP-Botucatu

Assistente de Styling
SP-São Paulo

Assistente de Assessoria de Imprensa
SP-São Paulo

Estilista
SC-Blumenau

Programador(a) de Visual Merchandising
PR-Curitiba

sábado, 27 de novembro de 2010

Seguir e ganhar!

Coluna - Promoções

Depois de semanas sem dar uma única dica de promoção(confesso, tinha esquecido e tava com preguiça), o blog volta a indicar o que anda rolando pela rede. Mas essa é bem mais simples. A dica é seguir a doceria paraense @TudoBolo no twitter. Seguiu você ganha um cupcake de boas vindas. Só isso, mais nada.

Quer saber mais sobre a Tudo Bolo? Clica aqui: http://doceriatudobolo.blogspot.com/

Lula e os blogueiros

Do blog do jornalista Altino Machado

Veja trecho do encontro aqui:

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Direitos humanos na telona


Foto: Divulgação

“Abutres” é o filme que abre a 5ª edição da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, nesta quinta-feira (25), em Belém. O longa traz o argentino Ricardo Darín, ator homenageado da Mostra este ano, na pele de um advogado ambicioso que vive à procura de vítimas de acidentes de trânsito para conseguir a maior indenização possível das seguradoras e ficar com uma gorda comissão.

O filme, dirigido pelo cineasta argentino Pablo Trapero e inédito comercialmente no Brasil, é o mais recente trabalho de Ricardo Darín, ator de grande prestígio na televisão e no cinema da Argentina. Ele ficou consagrado com o sucesso popular do longa-metragem “O Filho da Noiva” (de Juan José Campanella, 2001). Incluída na programação, a obra, sobre um homem em crise que tenta reconstruir seu passado, foi indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Mas foi pela atuação em o “O Segredo de seus Olhos” (2009), também de Campanella, que ele ganhou destaque no Brasil e no resto mundo. A película arrebatou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010.

Com entrada gratuita em todas as sessões, a 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul exibe 41 títulos, de dez países (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela), em 20 capitais. Belém é a segunda cidade a receber o evento, que termina dia 5 de dezembro.

A Mostra é uma realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com produção da Cinemateca Brasileira e patrocínio da Petrobras, através da Lei Rouanet, e dedica obras que abordam questões referentes aos Direitos Humanos, produzidas recentemente nos países sul-americanos. A programação discute temas como o direito à terra, ao trabalho, à inclusão social, à diversidade étnica, à diversidade religiosa, à solidariedade intergeracional da cidadania LGBT, o direito à memória e à verdade, direitos dos povos indígenas, das pessoas com deficiência, da pessoa idosa, da criança e do adolescente, da população carcerária, da população afrodescendente e dos refugiados.

Em todas as cidades há sessões com audiodescrição e closed caption, garantindo o acesso a pessoas com deficiência visual e/ou auditiva.

A 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul conta com apoio do Ministério das Relações Exteriores, da TV Brasil e da Sociedade Amigos da Cinemateca. As obras mais votadas pelo público são contempladas com o Prêmio Aquisição TV Brasil nas categorias longa, média e curta-metragem. A programação tem curadoria do cineasta e curador Francisco Cesar Filho.

Para conferir todos os filmes, datas e horários da Mostra, além de obter mais informações, acesse: www.cinedireitoshumanos.org.br.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Serviço:
"Abutres" na abertura da 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul.
Local: Cine Líbero Luxardo, no Centur.
Hora: 19h
Data: 25 de novembro
Endereço: Avenida Gentil Bittencourt, 650, Nazaré.

Em Belém, violência chega pelos rios


Foto: Divulgação

A cantora paraense Gláfira Lobo foi vítima de um assalto, no mínimo, inusitado, na noite do último domingo, 21 de novembro, enquanto conversava com amigos no Mormaço, uma bar localizado no bairro da Cidade Velha, em Belém do Pará. O Mormaço fica na beira do rio, nas águas banhadas pela Baía do Guajará. Gláfira estava no parapeito do bar, quando numa ação que ela descreve como “cinematográfica” teve a bolsa arrancada por um homem que saiu de dentro d’água. O homem cortou a alça da bolsa, num só golpe, e mergulhou novamente no rio, levando o objeto.

Gláfira foi levar o irmão, a namorada dele e o cunhado para conhecerem a cidade. O grupo resolveu, no final da tarde, ver o pôr-do-sol, ouvir música e tomar cerveja. “Quem nunca fez isso? Hábito do belenense, tomar cerveja em bares na beira do rio. Amigos isso é verdade. Pasmem! O cara fez isso em dois segundos. Na hora eu não tava acreditando no que tinha acontecido. Chamamos os seguranças, que nada podiam fazer, e assim não fizeram mesmo, e relatamos os fatos. O chefe da segurança me disse para eu esperar alguns minutos que o ladrão iria devolver a bolsa, pois o cara só leva o que interessa a ele, e joga de volta a bolsa com os pertences e documentos”, escreveu Gláfira num email que já circula pela internet.

Segundo a cantora, trinta minutos depois a bolsa apareceu no meio do salão do Bar, que também funciona como casa de shows. “Um funcionário apareceu com minha bolsa, dizendo que ela tinha sido jogada de volta. E nela estavam minha chave, documentos e pertences sem valor, como maquiagem, espelho, etc. Ele levou meu celular, uma lanterna de led (própria para ser usada em teatro, com foco centralizado) e uns trocados”, contou.

Ao que tudo indica Gláfira Lobo não foi a primeira vítima dos “ratos d’ água”, como são conhecidos popularmente. Em conversa por telefone, a cantora declarou ter sido a terceira pessoa atacada só naquela noite, conforme ficou sabendo por uma das funcionárias da portaria do local. “Os seguranças me disseram que há um ano e meio eles tentam pegar esse cara”, afirmou.

A ocorrência foi registrada na delegacia do Jurunas. E Gláfira já tirou o bar do seu roteiro de diversão. “Há quatro anos eu não ia no Mormaço, há última vez que eu fui, eu sofri um seqüestro relâmpago bem na frente. Eu estava com pessoas de fora do Estado. E o Mormaço é um local que você é revistado quando entra, tu tens que abrir a tua a bolsa, as seguranças te tocam, é um constrangimento. E você ainda tem que passar por isso? É inadmissível”, opinou.

De acordo com Andréia Miranda, diretora de programação do Bar, a segurança vem sendo reforçada para inibir os ataques. “Já colocamos arame farpado ao redor do bar, pedimos para os seguranças alertarem as pessoas para não ficarem próximas às laterais quando a maré estiver alta. Mas a gente avisa e quando os seguranças se afastam tem gente que não acredita que vai acontecer e volta a se aproximar”, relatou Andréia.

Na próxima semana a direção do Mormaço pensa em colocar em prática uma nova estratégia. ”Já pensamos até em colocar um segurança num casquinho, num barco, do lado de fora, no rio, para tentar pegá-lo. Vamos fazer isso. Porque ninguém conseguiu ainda ver quem é, sabemos que as bolsas são cortadas devido às marcas que ficam quando elas são devolvidas. Alguns já disseram que é com um anzol. Nossa preocupação é que alguém se fira, tenha a pele cortada, mas graças a Deus isso não aconteceu. Porque não é ninguém de dentro que rouba e sim de fora, que vem nadando pelo rio e corta a bolsa das pessoas”, disse.

A reportagem tentou entrar em contato com a Capitania dos Portos para falar da segurança nos rios, mas não teve sucesso.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Aline de volta


Foto: Divulgação

Boa notícias para os fãs de Maria Flor e da série "Aline", da Rede Globo. A atriz ressurge na telinha todas às noites de terça-feira, a partir de fevereiro de 2011. Novas aventuras, novos episódios e conflitos do triângulo amoroso mais fofo da tevê. E aí, você vai perder?

Quer matar a saudade? Clica aqui: http://aline.globo.com/

Espaço cultural para deficientes visuais comemora aniversário



Fonte: Assessoria de Imprensa/FCPTN
Foto: Divulgação

O centro de cultura para a comunidade de deficientes visuais do Pará - a seção Braille, da Biblioteca Pública Arthur Vianna - completou 36 anos neste sábado, 20 de novembro, e terá durante toda a semana uma programação comemorativa dessa mais de três décadas de história. A partir de hoje, até ao dia 26 de novembro, a biblioteca terá torneio de xadrez, dominó e apresentações culturais. Os eventos têm entrada franca.

A programação inicia com os torneios de Dominó e de Xadrez, voltados para o público em geral, com metade das vagas destinadas paraas pessoas com deficiência visual. A competição de dominó ocorre na terça-feira (23) e a de Xadrez na quinta-feira (25), ambas às 14h, na Brinquedoteca (2º andar do Centur).

Já na quarta-feira (24), ocorre o bate-papo com a escritora Bella Pinto de Sousa, a partir das 15h, na Seção Infantil. A escritora que comemora dez anos de carreira em 2010, comenta as suas obras produzidas para o público infantojuvenil e que abordam diversos traços culturais e narrativos da realidade amazônica.

As atividades encerram na sexta-feira (26), às 15h, com a apresentação do grupo folclórico “Os curupiras” e da cantora Núbia Freitas que realiza show musical com o violonista Thonys Athos – ambos deficientes visuais. Ocorre também a premiação dos torneios no Hall da Biblioteca Pública (2º andar do Centur).

A programação tem o apoio da Federação de Xadrez Paraense (FEXPA), Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), Unidade de Ensino Álvares de Azevedo, Curso de Redação e Português Yara Coeli e Associação de Cegos (ASCEPA).

Setor Braille – A mobilização de atores da sociedade em torno da comemoração revela a importância do espaço, fundado em 1974, pela antiga Fundação Cultural do Pará, na época, com sede no Prédio do Arquivo Público.

Inicialmente, a seção possuia uns poucos livros apenas e três máquinas de escrita manual. Com a expansão do acervo "Usuários", a seção passou, junto com a Biblioteca Pública, para o prédio do Centur, em 1987.

Hoje, a seção é um dos únicos centros para a inclusão social dos deficientes visuais paraenses, tendo a função de democratizar o acesso à informação e atendendo cerca de 15 usuários diariamente.

O espaço possui aproximadamente 800 títulos em Braille (desde literatura nacional, estrangeira, livros didáticos, periódicos e livros religiosos), além de recursos auditivos como programas de sintetizador de voz, CDs e fitas, que podem ser utilizadas nas quatro cabines da seção, todas equipadas com computadores e acesso a internet.

A seção "Braille" também oferece serviços como impressão de textos em braille, equipamentos manuais como a máquina de datilografia Perkins Braille e a lupa eletrônica para usuários com visão parcial, além de transposição de obras em formato impresso para áudio (inclusive com uma parceria com a Biblioteca Pública do Paraná, para envio de 22 mil livros em áudio para o setor paraense).


Serviço:
Programação de aniversário de 36 anos da Seção Braille, de 22 a 26 de novembro, com torneios de xadrez, dominó e apresentações culturais. Mais informações: 3202 - 4332

domingo, 21 de novembro de 2010

Nada de televisão


Foto: André Bittencourt/Multishow

Não deu. A TV me afugentou. Chorei logo após a Globo começar a exibir o show de Paul McCartney, quando o Fantástico terminou. O cantor já se apresentava há mais de uma hora no palco. Se fosse pra ver, teria de ser pelo menos em tempo real , né?!?!Achei que era uma afronta ver pela tela de 29 polegadas da minha casa. E ainda por cima deitada na rede.

Paul merecia mais. Doeu não estar ali compartilhando com milhares de pessoas aquele momento (público estimado em 60 mil pessoas). Gente que acompanhou na porta do estádio do Morumbi dias antes para ficar o mais perto possível do ídolo de toda uma geração e influência quase absoluta para todas as outras que vieram depois. Gente que atravessou o país. Gente que foi com os amigos, com a família. Gente que foi sozinha. Mas foi. Não foi dessa vez, Paul.

Vou me programar para vê-lo na turnê de seu aniversário de 70 anos daqui a dois anos. Com tanta antecedência não é possível que eu não consiga. Não importa o lugar, estarei lá.


SET LIST DO SHOW DESTE DOMINGO
Fonte: Multishow

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Vamos fazer Zona?

V Festival Se Rasgum

Listinha pessoal dos melhores shows dos três dias do evento:

1- Otto
2- Los Porongas e Dado Villa Lobos
3- Cidadão Instigado
4- Madame Saatan
5- Soatá
6- Delinquentes
7- Cabruêra
8- Odair José
9- The Slackers
10- Bruno B.O

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Combate ao trabalho escravo

Fonte: Repórter Brasil

O Pará é um dos seis estados envolvidos no programa educacional “Escravo, nem pensar!”, coordenado pela ONG Repórter Brasil. Além do Pará, Mato Grosso, Piauí, Tocantins, Maranhão e Bahia também desenvolvem projetos de conscientização e prevenção do trabalho escravo rural, apoiados pelo programa. Com o intuito de prevenir o trabalho escravo por meio da atuação em municípios com alto índice de aliciamento, o "Escravo, Nem Pensar!" forma professores e líderes para atuação nas salas de aula e nas comunidades.

Mais de duas mil pessoas já participaram das formações desde 2004, em 42 municípios, de seis Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste. Desde 2007, a Repórter Brasil também articula apoio financeiro àqueles que queiram desenvolver seus projetos. Já foram desenvolvidos 50 projetos comunitários com o tema do trabalho escravo.

O "Escravo, Nem Pensar!" foi lançado em 2003, com o 1º Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (PNETE), e inserido em alguns planos estaduais, como os do Pará, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso.

Uma passeata realizada por professores, pais e alunos da Escola Municipal Raimundo Ferreira Lima foi realizada em São Geraldo (PA), onde também foi montada uma apresentação de peça de teatro inspirada no tema da escravidão contemporânea, preparada pelos próprios estudantes.

Ao todo, são 11 projetos em 10 municípios distribuídos pelos estados. Na Bahia, o "Lutando pela liberdade, idealizando uma vida melhor" e vem sendo desenvolvido por professores e alunos do Colégio Municipal Firmino Ferreira Sampaio Neto, em Piritiba (BA). Antes de iniciar os trabalhos, foi realizada uma pesquisa para aferir como a comunidade escolar compreendia a escravidão.

"Eles imaginavam que só existia a escravidão de 1888", disse a professora Marileide dos Santos Pereira. Segundo ela, o envolvimento com o projeto fez com que a comunidade - incluindo porteiros, merendeiras, faxineiros, fiscais de pátio, estudantes e professores -, passasse a ver o tema de forma diferente. "Hoje, todos sabem que a escravidão ainda não acabou".

Camisetas, panfletos, e grafitagem no muro da escola foram feitos por todos os alunos. Além disso, 23 estudantes do colégio foram levados ao município próximo de Jacobina (BA) para a emissão da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), já que lá o processo é mais rápido.

Seminários e paródias foram realizados nas salas de aula em todas as disciplinas por meio de debates, relacionando o tema com o tráfico de pessoas para exploração sexual. "É um tema atual. É a realidade do que realmente está acontecendo e que se, principalmente os jovens não se protegerem, serão vítimas por falta de informações", disse Marileide.

Outros projetos foram desenvolvidos em Santa Luzia (MA) e Açailândia (MA). Em Santa Luzia (MA), foi desenvolvido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintraed) e com apoio do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH) e da secretaria municipal de educação. Professores do ensino infantil e fundamental foram formados para promover atividades de conscientização sobre o trabalho escravo nas aulas.

Já em Açailândia (MA), o projeto participante é realizado pela Rádio Comunitária Arca FM, também em parceria com o CDVDH e com a Agência Criativa. Jovens produzem programas de rádio que tratam de assuntos como trabalho escravo contemporâneo, formas de geração de emprego e renda e cooperativismo, além de apresentarem depoimentos de trabalhadores que já foram resgatados de fazendas. Os programas são transmitidos pela Arca FM e por rádios comunitárias de Bom Jesus das Selvas (MA) e São Francisco do Brejão (MA), ambos municípios localizados também no Maranhão.

Na Escola Municipal Dom Cornélio Chizzini, em Xambioá (TO), o projeto "Trabalho escravo: um mal a ser combatido" teve participação de professores e alunos em pesquisas, produção de paródias, poesias, teatro de fantoches, debates e matérias de campanha sobre o trabalho escravo.

As apresentações no Ponto de Cultura da cidade foram abertas ao público, em geral. Cartazes foram exibidos após a apresentação dos resultados de uma pesquisa sobre condições de trabalho feita pelos estudantes, em parceria com o Instituto Opinião. Dados indicaram que 41,6% dos entrevistados começaram a trabalhar com até 10 anos de idade, e a mesma porcentagem afirmou nunca ter tido carteira de trabalho assinada.

Outros dois projetos foram desenvolvidos, em Confresa (MT), pelo Centro de Jovens e Adultos (CEJA) Creuslhi de Souza Ramos e pela Escola Municipal Vereador Valdemiro Nunes de Araújo. Professores e alunos participaram de oficinas temáticas, pesquisas de campo, exibição de filmes e apresentações culturais. Uma peça de teatro sobre trabalho infantil foi apresentada pelos próprios alunos. Alguns trabalhadores rurais que já haviam sido escravizados deram ainda seus depoimentos à comunidade.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Como assim?!?!?!

Coluna - Só paraense para entender

Há alguns meses recebi um email com um texto engraçadíssimo sobre esse nosso jeito paraense de falar e de ser. Em alguns momentos da leitura a gente precisa conhecer o cotidiano de Belém mesmo pra entender as palavras e expressões que, pra você internauta desavisado, talvez pareçam bem estranhas. Mas, calma, todas as interrogações serão respondidas. Haverá tradução.

Foi a partir desse dito texto que nasceu a nova coluna do blog,a "Só paraense para entender", título do 'artigo' aliás, onde o espaço é todo sobre nós paraenses, filhos de sangue ou adotivos, que temos no égua a nossa representação maior. Então, vamos começar os trabalhos:


Um dia eu tava buiado, pensei em ir lá em baixo comprar uns tamatás. Tava numa murrinha, mas criei coragem, peguei o Sacrabala e fui.

Chequei tarde só tinha peixe dispré. O maninho que estava vendendo tinha uma teba de orelha do tamanho dum bonde. O gala-seca espirrou em cima do tamatá do moço que tinha acabado de comprar, e no meu tembéim. Ficou tudo cheio de bustela...Axiiiiiii, porcaria! Não é potoca, não. O dono do tamatá muquiou o orelha-de-nós-todos, mas malinou mesmo.

Saí dalí e fui comer uma unha. Escolhi uma porruda! Égua, quase levei o farelo depois. Me deu um piriri. Também...parece leso, comprar unha no Veropa. Comprei uns mexilhões, um cupu e um pirarucu, muito fiiiiiirme, mas um pouco pitiú.

Fui pra parada esperar o busão. Lá tinha duas pipira- varejeira fazendo graça. Eu pensando com meus botões...ÊEEEE, ela já quer... Mas, veio um Paar-Ceasa sequinho e elas entraram...Fiquei na roça, levei o farelo. O Sacrabala veio cheio e ainda começou a cair um toró, égua-muleque-té-doido-é, pense num bonde lotado. Eu disse: éguaaaaaaaa, voimbora logo.

No Sacrabala lotado, com o vidro fechado por causa da chuva, começa
aquele calor muito palha. Uma velha estava quase despombalecendo. Daí o velho que tava com ela gritava arreda aí menino pra senhora sentar aí do teu lado. O menino falou: Hmm, tá, cheiroso...


Vocabulário
Buiado: cheio da grana
Ir lá embaixo: ir até o bairro do Comércio, ir até o Ver-o-Peso, na parte 'baixa' da cidade
Tamatá: um tipo de peixe
Murrinha: preguiça braba
Sacrabala: ônibus Sacramenta (pode ser qualquer um: Sacramenta Nazaré, Humaitá, etc.). Ele vive lotado e passa no bairro da Sacramenta, conhecido na cidade pelos assaltos, mortes e troca de tiros entre gangues rivais e entre os bandidos e a polícia (quando ela resolve dar o ar de sua graça, claro)
Peixe dispré: é o peixe ruim, que já passou do ponto, meio podrinho, o resto
Teba de orelha: orelhas de abano, orelha realmente muito grande
Gala-seca: é uma gíria meio passada, fora de moda, mas que na minha adolescência (tipo seis anos atrás) era muito usada pela juventude de Belém do Pará. Quer dizer abestado, bundão, tapado, etc e tal.
Tembéim: contração de também
Potoca: mentira
Muquiou: vem de muquiar: já ouvi diversas variações desse verbo. Pode ser assar, cortar em pedacinhos. Apertar tão forte que fica ardendo que nem brasa.
Malinou: do verbo malinar, quer dizer maltratar
Porruda: muito grande, imensa
Égua: nossa expressão base. A gente diz égua quando tá feliz, triste, assustado, puto da vida, impressionado. Usamos égua pra tudo, é que nem o bah do gaúcho, o pô do paulista, e assim por diante.
Farelo: levar o farelo,quer dizer se dar mal
Leso: doido
Veropa: É o Ver-o-Peso para os mais chegados
Cupu: é a preguiça de dizer cupuaçu
Muito fiiiiiirme: muito bom, muito legal, um máximo, tudo de bom
Pitiú:fedorento
Pipira: piriguete de última, o varejeira é apenas para dar mais força à expressão
Paar-Ceasa: outro ônibus que vive lotado
Toró: chuva das brabas, de arromba, que parece que o ceú vai desabar
Palha: uma merda, uma droga
Despombalecendo: desmaiando
Arreda: afasta
Tá cheiroso: é ruim, hein. Vai sonhando

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Carimbó do Pará e do Brasil

Nosso rimto mais popular foi destaque em rede nacional na TV Record no último sábado (6). Pra você que não conhece: "Conheça o carimbó".

Clique aqui e confira.

Paul McCartney


Foto: Veja.com

Deprimida. Essa palavra resume meu estado de espírito nas últimas horas, fruto da matéria final do Fantástico, ontem (7), sobre o primeiro show da turnê de Paul McCartney que passa pelo Brasil neste mês de novembro. Tudo bem, a matéria foi fraquinha e a repórter parecia não sacar muito de cultura pop, nem entender a importância da presença de Paul no país, enfim. Mas Paul por si só é a notícia e quando as imagens do evento começaram a surgir na tela da TV, encerrando o programa ao som do ex-beatle, fiquei toda arrepiada. De repente as sensações foram se misturando, fui ficando triste. Lágrimas ameaçaram cair, um nó entalou minha garganta, um sentimento de perda tomou conta. Perda de um momento histórico do qual eu não farei parte.

Tenho manifestado inveja (benéfica) de todos os meus amigos que vão ver e ouvir Paul McCartney nos dias 21 ou 22 de novembro em São Paulo. Eles poderão dizer pros filhos, pros netos, para os amigos, eu fui e foi lindo, mágico, emocionante, um dos melhores shows da minha vida. Eu não poderei dizer isso, porque vocês já sacaram que eu não vou. E queria muito, mas motivos de força financeira maior me impedem de ir. Por isso estou tão deprimida, me sinto roubada, privada de um momento importante deste final de década, significativo da música pop, compartilhado por milhares de brasileiros e brasileiras que se deslocam de norte a sul do país para ver e ouvir Paul McCartney. Quem gosta, adora música e cultura pop como eu, entende o que quero dizer. Puzt, há quanto tempo Paul não vinha ao Brasil? Dezesseis anos, dezesseis anos. Ele tem 68 anos, daqui a pouco faz 70. Daqui a pouco ele morre. Quantas vezes eu terei a oportunidade de vê-lo ao vivo novamente? Provavelmente, nenhuma. Ele bem que poderia ter dado uma esticadinha até o Norte do Brasil, aqui em Belém do Pará, como fez Scorpions em 2009 e como fará no dia 1ºde abril de 2011 o Iron Maiden. Não é mesmo, Paul?

Veja aqui o set list do show e confira como foi a apresentação em Porto Alegre

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Estágio

Segundo nota publicada na coluna Pará News, do jornalista Cristian Emanoel, no Portal ORM, o SBT está recebendo currículos para o processo de seleção de estudantes de jornalismo, a partir do 5° semestre, para estágio na emissora. Currículos devem ser enviados para jornalsbtpara@sbt.com.br, aos cuidados da chefe de reportagem, Fabiana Cabral.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Educação sobre os preceitos de Wardolf

O Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia recebe nos próximos dias 5 e 6 de novembro o “A Arte de Educar para a Paz”. O evento comemora o primeiro ano de atividades da Creche Casulo, da Fundação Arte de Educar Cogente, discutindo a pedagogia de Wardolf, com a presença de autoridades em educação, como Maria Chantal, da Federação das Escolas Wardolf no Brasil, Betânia Vinagre, pedagoga do Ministério Público do Pará e Fábio Atanasio da UNICEF, entre outros. Toda a programação é gratuita.


Fundamentada na Pedagogia Wardolf, a Creche Casulo é o principal projeto da Fundação Arte de Educar Cogente, e considera que a criança, nos primeiros anos de vida, absorve inconscientemente todos os aspectos, caráter e os sentimentos do ambiente ao seu redor. Com esta premissa, na Creche Casulo as atividades cultivam da vida real, buscando a interação do sentir, pensar e agir.

O principal objetivo da Fundação é atrair os olhares do público para uma nova forma de perceber a formação da educação de uma criança. O “A Arte de Educar para a Paz” terá palestras e mesas-redondas, com a abordagem de temas como, por exemplo, “A criança e o poder de transformação na família”, “Políticas e ações não governamentais pelos direitos da criança” e “É preciso educar o educador”.

Sobre a Fundação Arte de Educar Cogente
A Fundação Arte de Educar Cogente atende crianças de 2 a 6 anos de idade em situação de risco social, na região norte do país, com apoio da Pedagogia Waldorf. A instituição foi criada pelo entendimento que o mundo contemporâneo e as demandas reprimidas da sociedade, sem atendimento do poder público, passaram a exigir da iniciativa privada o seu envolvimento direto na implementação de Projetos Sociais. Premiada em 2010, com o selo “Certificado de Mérito Comunitário”, do Programa Mesa Brasil do Sesc/Pará, a Fundação Arte de Educar Cogente promove o evento “Arte de Educar para a Paz” para divulgação das ações desenvolvidas por entidades educacionais na formação psicossocial e cultural infantil. Nele, o público poderá conhecer maneiras para atuar nestes Projetos Sociais e discutir parcerias com a Fundação, em municípios de maior interesse.


Creche Casulo
Criada há um ano, no bairro do Icuí Guajará em Ananindeua, a Creche Casulo, surgiu a partir das pesquisas realizadas pela Fundação, que perceberam o alto risco social das crianças desta comunidade. Assim, a Fundação Arte de Educar Cogente, passou a oferecer gratuitamente às famílias de baixa renda, a Creche Casulo.

Os profissionais da Creche Casulo são capacitados por meio do curso “Arte de Educar”, propiciando as crianças de 02 a 06 anos, e seus familiares, que vivem em área de risco e vulnerabilidade social, a educação, o acolhimento, e o desenvolvimento integral através dos princípios da Pedagogia Wardolf. Com este trabalho, a Creche Casulo forma cidadãos de transformação da cultura e promotores da paz.

Fonte e Fotos: Assessoria de Imprensa do evento

Serviço
“A Arte de Educar para a Paz”
Local: Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia
Endereço: Av. Dr. Freitas, S/N – Belém, PA.
Data: 5/nov das 19h às 22h30 e 6/nov das 8h às 18h.
Inscrições antecipadas: tassia@artedeeducarcogente.org.br / nelma@artedeeducarcogente.org.br.

Contatos para imprensa
Dani Franco – Jornalista DRT-Pa 1749
Fones: (91) 8889 3639 / 8167 5745
E-mail: danifrancoeu@yahoo.com.br

Confira a programação:

Cinema na Amazônia



Confira no link abaixo tudo o que vai rolar hoje, no segundo dia do Amazônia DOC - Festival Pan-Amazônico de Cinema.

http://amazoniadoc.com/?p=714

A entrada é franca em todas as atividades da programação.

Efeito Carbono

Eu poluo. Tu poluis. Ele polui. Nós poluímos e assim por diante. É impossível viver e não poluir. Mas existe uma grande diferença entre poluir desgovernadamente e poluir o minímo possível o mundo em que vivemos. A diferença reside na escolha. Você pode optar por ações que reduzam o impacto das atividades do homem no meio ambiente, como abolir as sacolas plásticas, quando precisar imprimir alguma coisa reutilize o papel ou use papel reciclado. Aliás recicle e reutilize os materiais que você jogaria fora. Eles podem virar acessórios e peças úteis e descolados.

Há uma infinita possibilidade de ganhar crédito com o meio ambiente. Plantar árvores é uma das queridinhas das grandes empresas, para neutralizar as emissões de gás carbônico na atmosfeara que suas atividades provocam, o chamado Efeito Carbono. Nós, proletários do sistema capitalista, também podemos e devemos contabilizar nossas emissões de carbono para saber quantas árvores temos de plantar por ano pra ganhar crédito com a natureza. E não faça aquela cara de que não emite gás carbônico, bobão, seus menores gestos concentram pequenas doses de CO², pode acreditar. Fazer churrasco no final de semama e usar desodorante de spray são alguns dos exemplos.

Ontem, durante a sessão de abertura o Amazônica DOC - Festival Pan-Amazônico de Cinema, no Cinema Olympia, em Belém, descobri que preciso plnatar oito árvores por ano, se eu mantiver o ritmo de emissão de carbono atual. Um dos parceiros do Festival, a Clean Gestão Ambiental realizava um teste (que dura menos de cinco minutos) com os participantes para contabilizar nossa contribuição com o planeta. No final, recebíamos um certificado, impresso em papel reciclado (eles também podiam enviar para o seu email), certificando nossa participação.

Quer saber quantas árvores você precisa plantar para neutralizar AS SUAS emissões de CO². Clique no link abaixo e participe:
http://www.cleanga.com.br/software/

Outras notícias relacionadas:
Brasil pode reduzir em até 70% emissões de carbono

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Amazônia de portas abertas para o cinema

Começa oficialmente amanhã, dia 3 de novembro, a programação do 2° Amazônia Doc – Festival Pan-Amazônico de Cinema. O evento segue até 14 de novembro nas salas de cinema da capital paraense: Cine Líbero Luxardo, Cinema Olympia e outros mais. O Amazônia DOC 2 inlclui ainda atividades gratuitas como palestras, seminários e oficinas.Depois de Belém, o Festival segue em itinerância pelo Pará, onde aporta em cinco cidades, e pelo Brasil, nas capitais Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

A sessão de abertura será no mais antigo cinema em funcionamento no Brasil, o Olympia, ali na avenida Presidente Vargas, ao lado das Lojas Americanas, às 19h50. O filme que abrirá o Festival é "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te amo”, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes.

Sinopse (Site Adoro Cinema):
José Renato (Irandhir Santos) tem 35 anos, é geólogo e foi enviado para realizar uma pesquisa, onde terá que atravessar todo o sertão nordestino. Sua missão é avaliar o possível percurso de um canal que será feito, desviando as águas do único rio caudaloso da região. À medida que a viagem ocorre ele percebe que possui muitas coisas em comum com os lugares por onde passa. Desde o vazio à sensação de abandono, até o isolamento, o que torna a viagem cada vez mais difícil.

Veja o trailer aqui:

sábado, 30 de outubro de 2010

Cobranças maternas

O tempo vai mudando. E as cobranças das mães vão se adequando a ele também. Quando eu tinha 16 anos, minha mãe me cobrava mais rigor nos estudos (até os 15 eu era aluna exemplar, mas bastou entrar no cursinho pra eu largar temporariamente a vida burocrática dos vestibulandos), porque só assim, Yorranna aqui, passaria no vestibular.

Entrei na faculdade. Novas cobranças pra que eu me dedicasse mais e sempre tirasse boas notas (isso sempre ocorreu, usando minha tática de ler por prazer. NUNCA por obrigação). Pra minha mãe, não combinava eu ir tanto ao cinema, ler tanto todo tipo de livro(menos de autoajuda, claro), ouvir música, ir a shows, querer viajar e conhecer mais pessoas, culturas, vidas e lugares, e falar e discutir essas questões. E eu sempre argumentava que essas atividades eram fundamentais na profissão escolhida por mim. Jornalista que não lê, não tem cultura ampla, e nem busca ter, não é jornalista. E por falar nisso, vale lembrar: ela nunca inplicou com a minha escolha profissional.

Hoje, minha mãe me cobra um emprego decente e burocrático. Me aconselha a largar os freelas e as roubadas, como por exemplo viagens a trabalho, onde eu literalmente naufrago. "Não se meta mais em barca furada, minha filha", ela disse, ao saber que naufraguei na Resex Verde Para Sempre, em Porto de MOz (PA). Parece até piada falar em barca furada com uma náufraga.

Ela já esteve na fase namorados decentes para apresentar. E a mais nova: você devia se casar (aos 21 anos? tá bom, mãe)....aliada ao: você tem que passar um tempo lá no sítio, pra vê se engorda um pouquinho.

As mães, todas iguais.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Copa do Mundo. Publicidade. Coca-cola

Olha essa propraganda da Coca-cola que rolou na teve argentina na época da Copa do Mundo de 2006. Comunicação é comunicação. E quando é bem feita merece aplausos, mesmo que para os hermanos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Vida na Resex Verde Para Sempre*

Coluna - Diário de Bordo

Fotos: Talmir Neto e Yorranna Oliveira

Na comunidade Carmelino, às margens do rio Jauruçu.

O rádio é a principal forma de comunicação dentro da Resex. Mas é possível encontrar em algumas comunidades, como no Carmelino, telefone público. Lá, ele funciona via satélite e por energia solar. E dependendo do local que estivermos na comunidade, sinal de celular também pega.


Esse dedo deve estar gostoso

Se todos os homens ficassem felizes assim...


Aderildo, o diretor. Será que ele está pensando na mala com roupas, celular e documentos que perdeu no nosso naufrágio?


Na casa de seu Carmona, referência comunitária em Carmelino.



Observando as expressões dos moradores de Carmelino durante a apresentação do programa de rádio da Embrapa, o Prosa Rural.



Desce daí, menina!!!




*A Resex está localizada no município paraense de Porto de Moz, na região do Baixo Amazonas, no encontro das águas dos rios Amazonas e Xingu. A Reserva foi criada em 2004 e ocupa 74% do território de Porto de Moz, e divide-se em 58 comunidades, espalhadas por 31 localidades.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O queijo da búfala

Coluna - Diário de Bordo

Fotos: Talmir Neto

Marivaldo, o homem do queijo.


Na Resex Verde Para Sempre, em Porto de Moz (PA), criar búfalos faz parte da vida das pessoas. Os avós faziam isso, os pais faze isso e os filhos parecem continuar no mesmo caminho.É da criação desses animais que sai o sustento das famílias, especialmente, da produção de queijo, como faz Marivaldo Nazaré Pires, de 35 anos. Morador da comunidade Santa Luzia, próxima a Cuieiras, ele passava numa rabeta em frente ao local para levar queijo ao irmão quando um dos integrantes da itinerância o chamou para dar uma palavrinha. Resultado: uma explicação completa de seu Marivaldo de como fazer o melhor queijo de búfala do pedaço. Mas isso eu não vou dizer, hehehe.

Aprendendo a receita


*Claro que comemos queijo, gentilmente oferecido por seu Marivaldo. Só posso dizer que estava bom demais. Agora, só quero comer queijo de búfala, hehehe.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Enfim, Cuieiras.

Coluna - Diário de Bordo
19 e 20 de outubro de 2010

Fotos: Árniton Batista, Renata Baía e Talmir Neto

Voltando antes mesmo de chegar em Cuieiras...


Em direção à Cuieiras. Na terceira tentativa......


Na primeira tentativa afundamos. Na segunda, encalhamos. Na terceira finalmente chegamos à comunidade de Cuieiras, na *Reserva Extrativista Verde Para Sempre, localizada no município de Porto de Moz, no Pará. A comunidade é uma das 58 existentes na região, que se espalham por 31 localidades. Cuieiras fica na zona de várzea da Resex. As famílias tiram das águas do rio o que precisam para continuar existindo. A criação de búfalos, a produção de queijo, a pesca artesanal e a produção de farinha de piracuí - feita de um peixe muito apreciado na região, o acari - garantem a sobrevivência das famílias.

Ajeitando o microfone do seu Luís.


Encontramos seu Luís Moura, de 63 anos, na comunidade. Eel cria abelhas indígenas sem ferrão, a chamada meliponicultura. Através de um projeto de geração de renda na Reserva, a Embrapa Amazônia Oriental realizou, entre outras atividades, um curso de capacitação em meliponicultura no local. A meliponicultura é a um potencial produtivo existente em Cuieiras. No curso, os moradores aprenderam a construir um modelo de caixa, adaptado pela Embrapa, onde ficam os ninhos para a reprodução das abelhas e para a produção do mel. A técnica funciona como alternativa ao desmatamento: na criação de abelhas não é preciso remover a cobertura vegetal da terra. O pólen produzido pelas espécies ajuda na regeneração da cobertura natural da floresta. O modelo de caixa padronizado facilita a divisão das colônias e a coleta dos produtos da colmeia. E como essas abelhas não tem ferrão, o produtor de mel não precisa investir em equipamentos e roupas especiais.

Seu Luís mostrando a colmeia da abelha jandaíra


Seu Luís leva nossa equipe de filmagem para conhecer o meliponário da filha, Angélica. Vai mostrando e abrindo as caixas. Explica o processo para pegar na floresta as colmeias, a forma mais correta que aprendeu, como é a criação das abelhas até a retirada do mel. E nos oferece um pouco do mel da espécie jandaíra. Eu e Renata nem pensamos duas vezes, vamos direto com o dedo numa das aberturas da colmeia. Nem preciso dizer que achei delicioso, um mel levinho, levinho e bem fresquinho, hehehe. "É um mel mais limpo", na definição de seu Luís.

Provando na fonte...


Quando terminávamos a entrevista, ele nos premia com uma reflexão sobre sua própria vida, o tanto de mata que já destruiu, queimou, sem saber e se dar conta do mal que fazia à natureza e a si mesmo. Mas hoje ele entende muito bem que o caminho não é esse.

O criador de abelhas indígenas sem ferrão.

*A Reserva foi criada pelo Governo Federal em novembro de 2004 e funciona como uma unidade de conservação, organizada para proteger os meios de vida dos povos que moram na região e para asssegurar o uso sustentável dos recursos naturais. A área ocupa 74% do território do município de Porto de Moz e é utilizada pelas populações tradicionais que vivem do extrativismo, da agricultura de subsistência, da criação de animais e da pesca artesanal.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio,vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, administra todas as unidades de conservação existentes no Brasil. A Coordenação Belém, do ICMBio, é responsável pela gestão socioambiental da Resex Verde para Sempre, e de outras unidades que ficam no
território amazônico.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Os bastidores de uma itinerância

Coluna - Diário de Bordo

A itinerância para fazer um vídeo na Resex Verde Para Sempre que virou naufrágio, experiência de vida e história para contar.

Fotos: Yorranna Oliveira, Renata Baía, Talmir Neto

Afundamos na madrugada de terça-feira, 19, por volta das 5 da manhã. Acordamos com o grito de aviso de um dos tripulantes: ‘vão para o outro lado barco, que tá entrando água no barco’. Eu pulo da rede com o barco Miritituba completamente virado para a direita. A água do rio Uiuí o invadiu numa velocidade de segundos. Acordamos com águas varrendo tudo. O barulho do freezer rangendo o chão ao mesmo tempo que o grito de Elson, nosso salvador, rasgava o silêncio da noite.

Meus pés sentem a água gelada. Me seguro na rede para tentar subir para o outro lado. Escorrego. Temo que o barco vire de uma vez sem que eu consiga chegar ao outro ponto da embarcação, que eu bata a cabeça na virada, me afogue e morra. Mas ao mesmo tempo eu tenho certeza que não vou morrer. Peço ajuda para outra integrante da equipe que já tinha conseguido se atracar na parte segura do Miritituba. Ela pega minha mão e me ajuda a subir. Me sinto segura de novo. Peço a proteção divina, o coração ainda bate acelerado. Ajudamos Maria do Céu a também subir. E outra integrante fala de algum ponto do barco que não sabe nadar. Os meninos vão ajudá-la. Mais tarde sabemos que ela não tinha entendido o aviso e já acordara com a água dentro da rede. Não conseguiu subir. Dois a seguram pelos braços. E um terceiro, Árniton, a empurra com um dos pés.

Miritituba nas águas do rio Uiuí

Jair chama pelo nome dos integrantes da equipe. Pergunta se todos estão bem. Ouvimos o barulho de um motor de barco. É seu Icles vindo de sua casa ajudar. Embarcamos no pequeno barco. Vejo minha toalha pendurada. Peço para um dos rapazes do Mirituba pegarem pra mim. Minutos depois chegam dois repelentes, os carapanãs iam começar a fazer festa. Do Céu, Renata e eu tomamos quase um banho com cada um deles. Abro minha bolsa ensopada que, num dos mergulhos, Árniton recuperou. Notas fiscais, bloquinhos de anotações, celular, máquina digital, agenda de contatos. Tudo molhado. Outra bolsa é achada no meio da água, a minha, onde estava o dinheiro da viagem. Como era de se esperar, também molhada. O notebook também vem na leva. Outras malas e equipamentos vão sendo encontrados e colocados no barco de seu Ícles e na voadeira que vinha a reboque no Miritituba.

Pergunto a seu Icles se há muito jacaré e piranha por aquelas águas. Ele diz que sim e como. Ou seja, poderíamos não morrer afogados, mas comidos por jacarés ou piranhas seria bem provável. Seu Ícles nos leva para a casa dele, a poucos metros dali. Pergunto se ele já tinha visto algum acidente do tipo. Diz que nos 20 anos que mora por ali nunca tinha presenciado.

O popopô do resgate


Seu Icles viu quando nosso barco passava pelo rio que corta a Comunidade Andrade e Silva, localizada na Resex Verde Para Sempre, a cerca de 50 minutos de Cuireiras, a primeira comunidade de nossa jornada pela Resex. É tempo de seca nos rios da Reserva e o Uiuí é estreito, poderíamos ter encalhado em algum ponto do trajeto. De sua casa, seu Icles vê o barco tombando e chama um primo que mora e trabalha no lugar para prestar socorro.

Missão 2: Salvar o que restou


Olha aí o Árniton consertando o carregador de baterias da câmera. Campeão de mergulhos no barco para recuperar bagagens, equipamentos e comida


O sol aparece no horizonte no Retiro Andrade Silva, na Comunidade Monte Sinai. A mulher de seu Icles, Ângela, nos oferece café, conversa conosco e vamos compartilhando vivências, conhecendo aquele novo mundo que não estava previsto na itinerância. Os rapazes trazem mais bagagens e materiais para o trapiche da casa de nossos acolhedores. Saem de voadeira pelo rio atrás do que foi embora com a correnteza.

Indo atrás do prejuízo...Perdemos tripé, microfone, comida, roupas. Mas recuperamos outras tantas.

O sol vai ficando forte e começamos a colocar tudo para secar, na tentativa de recuperar o máximo possível de material. Perdemos o tripé da câmera, que ficou intacta graças ao case impermeável. Foi a primeira coisa que Árniton saiu atrás, depois de constatar que não morreríamos e o barco não afundaria mais do que afundou. Nos reunimos para decidir se iríamos continuar ou se abortaríamos a missão. Decidimos seguir até Cuieiras para gravar as imagens do vídeo sobre a Reserva Extrativista (Resex) Verde Para Sempre, como previsto no roteiro. A última comunidade, Itapeua, foi tirada do nosso itinerário. As condições de navegação por ela eram as mesmas da de Cuieiras, preferimos não arriscar.

O comandante que foi ao banheiro


Todos queriam falar com parentes, amigos, chefes. Mas celular não pega nas comunidades próximas e nem telefone público, como veríamos na comunidade de Carmelino, via satélite há. A única forma de comunicação é o rádio. A da casa de seu Ícles estava sem bateria. Do barco, Louro, o piloto do Miritituba no momento do acidente, tentava entrar em contato com o dono da embarcação que mora em Porto de Moz.

Louro, o piloto do naufrágio, tentando falar com o povo de Porto de Moz.


Aos poucos vamos entendendo o que aconteceu. A seca do rio Uiuí, a maior já vivida pelos ribeirinhos nos últimos anos, foi nossa faca de dois gumes. Tivemos sorte de não encalhar e afundar antes. O barco passou em cima de um tronco, que furou o porão (podre segundo os mergulhadores) do Miritituba. Elson, o piloto da voadeira que nos conduziria pelos rios mais estreitos e rasos, dormia na parte de baixo do barco viu a água entrando no barco e correu para nos avisar.

Foi este rapaz quem avisou que deveríamos sair de nossas redes.


O capitão do barco estava no banheiro no momento do acidente. Louro passou por cima do tronco, o barco balançou fortemente, tinha acordado poucos segundos antes. Estava com vontade fazer xixi, mas fiquei com preguiça de levantar. Senti o balançar da rede que quase me faz cair. O barco volta e segue de novo. O freezer escorrega, Elson grita e o resto todo mundo já sabe. Se o acidente tivesse acontecido no Rio Xingu ou no Amazonas, dificilmente eu estaria compartilhando esssa história. Possivelmente teria virado manchete de jornal.

Depois do almoço vamos para Cuieiras. Árniton faz imagens do rio, dos pássaros, dos peixes, dos búfalos caminhado por terra e água. A criação de búfalos garante o sustento das famílias da Zona de Várzea da Resex, associada a pesca artesanal e a produção de farinha de peixe. A paisagem favorece belas imagens captadas pela câmera Full HD que levamos (high difintion total). O rio Uiuí é farto em acaris que brincam de pira nas águas. A água fica pipocando de tanto peixe que tem. Não é à toa que o povo de lá faz farinha com o acari, a chamada farinha de piracuí. Na região o queijo de búfala é vendido na porta das casas para os passantes. Ele passa por um processo de fritura, além de outros detalhes que conto depois. O resultado garante um queijo de comer de joelhos de tão bom. Aprovadíssimo.

Trepando na cerca em busca do melhor ângulo


Terra de búfalos...




A quinze minutos de Cuieiras, encalhamos. Resolvemos voltar no dia seguinte com a maré enchendo para não correr riscos de novos encalhes. Mais imagens no caminho. Muitos búfalos. Entrevistamos um vaqueiro. Novas imagens. Árniton pira nas imagens. E mais búfalos ao longo do caminho, novas pirações.

Iríamos embora no final da tarde da casa de seu Ícles. Mas novos contratempos nos fazem ficar e só ir embora na tarde do dia seguinte. Um novo barco de Almeirim, o Sarraf Junior, nos pegaria ali perto na viia Aquiaqui, às margens do rio Aquiaqui, onde botos aparecem de minuto a minuto e pulam feito criança para deleite de nosso olhos. O Sarraf Junior nos acompanharia até o fim da itinerância por mais duas comunidades (Carmelino e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, mais conhecida como Arimum) da Resex.

O casal de salvadores, os primos Icles Andrade da Silva e Ângela Andrade da Silva. Quinze anos de casamento, dois filhos, o Gustavo, de 3 anos e Daniel, de 8 meses.


Providencial sofrermos o acidente perto da casa de seu Icles. Tivemos onde comer, descansar, organizar as ideias, dormir. Tivemos acolhida e proteção do temporal que caiu na noite de terça-feira. O céu queria desabar naquela noite. Muita água, relâmpagos e trovões caíram do alto. Dormimos todos amontoados na sala. Uns pelo chão, outros pelo sofá. Pelos donos da casa dormiríamos no quarto quentinho deles, preparado para nos receber. No entanto, ficamos com vergonha de aceitar. Já estávamos abusando demais da gentileza do casal e, de certa forma, atrapalhando a rotina deles.

domingo, 24 de outubro de 2010

O começo

Coluna Diário de Bordo – 18 de outubro de 2010

Nossa itinerância pela Reserva Extrativista Verde Para Sempre começaria na noite daquele mesmo dia. Eu e o cinegrafista Árniton viemos de balsa o trajeto inteiro, mas há os que vem por outros caminhos. Essa outra jornada dura cerca de 10 horas, começou de avião na capital paraense com destino à Altamira. Lá, enfrentaram em torno de 47 km de carro até Vitória do Xingu, onde pegaram uma lancha que os trouxe ao município. Haja fôlego com tantas mudanças de condução.

Ainda em Belém, combinamos o encontro no Hotel Mirante do Porto, onde eu e Árniton ficamos hospedamos. Outra parte da equipe sai para comer com a promessa de voltarem meia hora depois para visitar nosso primeiro entrevistado, um representante do Comitê de Desenvolvimento Sustentável (CDS) do local, já que o coordenador - geral, Jomabá, só estaria na região na quarta-feira. E volta com o tempo estourando para o primeiro entrevistado. Nos dividimos entre um táxi e dois moto táxis. Ao todo sete pessoas de um lado para o outro em Porto de Moz. Ganhamos um agregado: Árniton arrumou um auxiliar de cinegrafista ainda pela manhã, o Aderildo, que ficou conhecido entre nós como diretor, alcunha criada por Árniton.

Paramos no Comitê com a luz da tarde começando a desaparecer. Nada bom para quem precisa da luz para filmar. O cinegrafista faz imagens externas do CDS. A entrevistada tinha saído. E foi um liga e liga de lá para contornar o contratempo. Otaviano surge para nos guiar pela cidade. Perguntamos se ele conhece alguma pessoa que tenha feito um dos cursos de biojoias e embalagens realizados pela Embrapa. Ele diz que sim e nos leva à dona Cleonilce. Simpática senhora que mora em uma casa de madeira e vende artesanato, chopp e gelo como informa a placa, pendurada do lado de fora da residência.

No final da entrevista, ganho um par de brincos em formato de golfinho feito de casa de coco, e uma prendedor de cabelo criado a partir do chifre de boi ou búfalo (não lembro qual dos animais, mas deve ser de búfalo já que esse é um animal muito comum na área). Agradeço a gentileza e me despeço com meus presentes. As equipes se dividem para agilizar e acertar os detalhes da viagem logo mais à noite.

No trapiche da cidade, o barco Miritituba esperava os navegantes. O jantar já estava pronto. Frango guisado com verduras e milho, arroz, suco de goiaba. Tudo deliciosamente preparado por dona Maria do Céu, cozinheira de mão cheia que nos acompanharia até o fim da itinerância. O tempero da fome aliado ao capricho da comida me fez comer até o último grão de arroz. Parabéns pra dona Maria do Céu, nome dedicado à mulher dele, morta durante o parto após sofrer uma hemorragia. Do Céu seria celestial nas próximas horas e dias da expedição pela Resex, e como seria.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Porto de Moz

Coluna Diário de Bordo - referente aos dias 17 e 18 de outubro
Fotos: Yorranna Oliveira

Rio Xingu


A saudade começa a me entristecer. Na sacada do Hotel Mirante do Porto, onde ficamos hospedados, olho para o Rio Xingu. Ele realmente impressiona. Vejo os ribeirinhos desbravando o rio em barquinhos, rabetas, voadeiras, cascos, barcos de grande porte.
Do Hotel é possível ter uma visão de quase todo o município de Porto de Moz.

Enquanto escrevo, observo o movimento no trapiche principal. Um navio da Marinha do Brasil aportou na cidade desde sexta-feira passada, 15 de outubro. Todo ano, de acordo com os moradores, ele atraca no porto local, trazendo serviços gratuitos para a população. Atendimento médico, como os de clínica geral e odontologia, emissão de CPF, entre outras coisas mais.

Vista do Hotel para o trapiche principal da cidade


Chegamos (eu e o cinegrafista Árniton) em Porto de Moz no domingo, por volta das 8h da manhã, depois de 36 horas de viagem na balsa Gabriela. A Gabriela saiu porto Maturu, em Belém do Pará, às 19 horas (era para ter saído às 18h). Nem preciso dizer que o cansaço nos consumia. Mesmo assim, Árniton não perdeu a oportunidade de fazer imagens do momento. Fomos para o Hotel a pé. Um carreteiro levou as bagagens e nossos equipamentos. Pagamos 10 reais pela ‘corrida’. Deixamos nossas bagagens nos quartos, em terra firme ficamos em cômodos separados, já não era sem tempo. Aproveito para tomar um banho, checar nosso itinerário nos próximos dias pela Reserva Extrativista Verde Para Sempre, ajustar o roteiro com as informações colhidas no caminho pelos rios da Amazônia.

Vou ao cyber ler meus emails, dois dias sem acesso à internet, pense num caixa de entrada abarrotada de mensagens. Mando recado para a família, para o povo de Bel City e atualizo meu blog. Não consegui publicar fotos. Consegui o feito de inutilizar o cartão de memória de minha câmera digital, nenhum computador lia o cartão e a câmera acusava erro de formatação. Fiquei frustrada. Afinal, instantes nunca são iguais, como as do casal de senhores Maria de Nazaré e Pedro Luciano, de 66e 73 anos. Eles tiveram 14 filhos, oito morreram de doenças ou nasceram mortos, só conseguiram criar seis. Não me conformo em não poder ilustrar a história deles, enquanto conversavam na beira da balsa Gabriela, com o rio Pará ao fundo.

Na hora do almoço comemos na Churrascaria do Irmão. O local serve um delicioso suco de manga, feito na hora. O puro sabor da fruta, rsrsrs (parece frase de comercial de tevê).

Depois do almoço, Árnitom rodou pela cidade e foi parar na praia da localidade, a Chácara, em julho a praia vira palco do Fest Sol, o festival de verão de Porto Moz. É um dos eventos que agitam os moradores, vem gente até de outras paragens e municípios próximos. No dia seguinte, ele me conta que viu a diversão feita pelos marinheiros na praia, quá. Como se as esposas não conhecessem seus maridos.

Um pedaço do comércio visto do alto


Hoje de manhã comprei um novo cartão de memória. Não perderei nem uma foto dessa vez. Tiro fotos da cidade, lá do alto do Mirante do Porto. Desço para observar a manhã na lugar. Encontro a Raimunda Renilda com uma das filhas. Conheci Renilda na balsa e ela me cobra a visita prometida a sua casa. Ela me convida para ir até ao Feirão do Porto, uma espécie de Feira da Marambaia (de Belém do Pará) em Porto de Moz. Raimunda queria comer acari na Feira, peixe bastante apreciado no Pará. Minha mãe, aliás, adora.

Igreja Matriz São Brás


Raimunda vai contando e apontando os detalhes bons e ruins da cidade. Há quatro anos ela não vinha ao município, vai passar alguns dias e voltar para a Bahia, onde mora com a filha do primeiro casamento e o atual marido baiano. “Nos conhecemos na Praia do Caripi, em Barcarena”, relembra. Renilda fala com todo mundo no trajeto. Amigos, parentes, conhecidos. Ela diz que devo conhecer o bairro da Beata, um dos cinco bairros de Porto de Moz, e um dos mais pobre e violento, segundo Raimunda. “Tipo um Jurunas [em Belém do Pará]”, compara.


Praça São Brás



Fotografo a Igreja Matriz São Brás e a praça em frente, de mesmo nome. São Brás é o santo protetor dos navegantes. Aliás, é semana de festividade do santo em Porto de Moz, iniciada ontem.

Um dos trapiches de Porto de Moz


Vou tirando fotos dos barcos ao longo da orla e guardando na memória as impressões da cidade. A outra parte da equipe deve desembarcar por aqui ainda hoje, vinda do município de Vitória do Xingu, num trajeto feito por ar (de avião de Belém a Altamira), terra (de carro até Vitória) e água (de lancha até Porto) desde Belém do Pará. Faremos imagens e entrevistas por aqui. E no início da noite vamos para a comunidade de Cuieiras, na Resex Verde Para Sempre.