Yorranna Oliveira

Achei a imagem aí de cima pesquisando no Google. E ela define perfeitamente um pouco do que eu sou e da proposta do blog: tem de tudo um pouco, e um pouco de quase tudo o que gosto. Aqui você vai encontrar sempre um papo sobre música, cinema, comunicação, literatura, jornalismo, meio ambiente, tecnologia e qualquer outra coisa capaz de me despertar algo e a vontade de compartilhar com vocês. Entrem e divirtam-se!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Despedida



Queridos amigos:

Devido a meu precário estado de saúde e à terrível depressão emocional que me impossibilita de continuar a escrever e a lutar pela liberdade de Cuba, estou pondo um fim a minha vida. Nos últimos anos, mesmo me sentindo muito doente, pude terminar minha obra literária, na qual trabalhei por quase trinta anos. Deixo-lhes pois como legado todos os meus terrores, mas também a esperança de que em breve Cuba será livre. Sinto-me satisfeito por ter contruibuído, mesmo que modestamente, pelo triunfo desta liberdade. Ponho fim a minha vida voluntariamente porque não posso continuar trabalhando. Nenhuma das pessoas que me cercam estão comprometidas nesta decisão. Só há um responsável: Fidel Castro. Os sofrimentos do exílio, a dor de ter sido banido, a solidão e as doenças contraídas no desterro - certamente não teria sofrido isto se pudesse ter vivido livre em meu país.

Conclamo o povo cubano, tanto no exílio quanto na Ilha, a seguir lutando pela liberdade. Minha mensagem não é de derrota, mas sim de luta e esperança.

Reinaldo Arenas.
(Carta publicada no livro Antes que Anoiteça, autobiografia do escritor Reinaldo Arenas, lançado em 1994)

Sobre o autor, leia aqui:
http://pt.wikipedia.org
/wiki/Reinaldo_Arenas

2 comentários:

Gleidson Gomes disse...

A história do Arenas é fabulosa, todos deveriam conhecer, ler. Ele revela uma face de Cuba que dificilmente é mostrada nos livros de história ou na própria mídia, onde repressão, decadência e desejo dançam no mesmo palco.

Pérolas da Comunicação disse...

Verdade, Gleidson. Quando li a autobiografia "Antes que Anoiteça" fiquei muito transtornada. É uma literatura escrita com as vísceras. Arenas escancara toda a sua existência de forma crua, mesclada por todas as sensações humanas desde as mais belas até as mais vis. E a medida que o livro vai chegando ao final, você percebe a despedida de Reinaldo de todas as coisas que ele mais amava e odiava.

Antes que Anoiteça é um retrato de uma Cuba que de tão real, é quase inacreditável. O livro choca por arregaçar a realidade da ditadura de Fidel, onde o povo sofre todas as perdas impraticáveis ao ser humano, especialmente quando lhe tem roubado o direito de ser gente.

No trecho onde Arenas narra que o povo de cubano foi roubado até no seu riso, fiquei profundamente comovida. Logo eu, que adoro rir, tanto das coisas boas como das ruins, ler isso.

Todos devem conhecer Reinaldo Arenas. Esse homem que literalmente dava a vida para escrever, porque essa era sua única forma de resistir à barbárie de um sitema político desumano.