Yorranna Oliveira

Achei a imagem aí de cima pesquisando no Google. E ela define perfeitamente um pouco do que eu sou e da proposta do blog: tem de tudo um pouco, e um pouco de quase tudo o que gosto. Aqui você vai encontrar sempre um papo sobre música, cinema, comunicação, literatura, jornalismo, meio ambiente, tecnologia e qualquer outra coisa capaz de me despertar algo e a vontade de compartilhar com vocês. Entrem e divirtam-se!

sábado, 30 de outubro de 2010

Cobranças maternas

O tempo vai mudando. E as cobranças das mães vão se adequando a ele também. Quando eu tinha 16 anos, minha mãe me cobrava mais rigor nos estudos (até os 15 eu era aluna exemplar, mas bastou entrar no cursinho pra eu largar temporariamente a vida burocrática dos vestibulandos), porque só assim, Yorranna aqui, passaria no vestibular.

Entrei na faculdade. Novas cobranças pra que eu me dedicasse mais e sempre tirasse boas notas (isso sempre ocorreu, usando minha tática de ler por prazer. NUNCA por obrigação). Pra minha mãe, não combinava eu ir tanto ao cinema, ler tanto todo tipo de livro(menos de autoajuda, claro), ouvir música, ir a shows, querer viajar e conhecer mais pessoas, culturas, vidas e lugares, e falar e discutir essas questões. E eu sempre argumentava que essas atividades eram fundamentais na profissão escolhida por mim. Jornalista que não lê, não tem cultura ampla, e nem busca ter, não é jornalista. E por falar nisso, vale lembrar: ela nunca inplicou com a minha escolha profissional.

Hoje, minha mãe me cobra um emprego decente e burocrático. Me aconselha a largar os freelas e as roubadas, como por exemplo viagens a trabalho, onde eu literalmente naufrago. "Não se meta mais em barca furada, minha filha", ela disse, ao saber que naufraguei na Resex Verde Para Sempre, em Porto de MOz (PA). Parece até piada falar em barca furada com uma náufraga.

Ela já esteve na fase namorados decentes para apresentar. E a mais nova: você devia se casar (aos 21 anos? tá bom, mãe)....aliada ao: você tem que passar um tempo lá no sítio, pra vê se engorda um pouquinho.

As mães, todas iguais.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Copa do Mundo. Publicidade. Coca-cola

Olha essa propraganda da Coca-cola que rolou na teve argentina na época da Copa do Mundo de 2006. Comunicação é comunicação. E quando é bem feita merece aplausos, mesmo que para os hermanos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Vida na Resex Verde Para Sempre*

Coluna - Diário de Bordo

Fotos: Talmir Neto e Yorranna Oliveira

Na comunidade Carmelino, às margens do rio Jauruçu.

O rádio é a principal forma de comunicação dentro da Resex. Mas é possível encontrar em algumas comunidades, como no Carmelino, telefone público. Lá, ele funciona via satélite e por energia solar. E dependendo do local que estivermos na comunidade, sinal de celular também pega.


Esse dedo deve estar gostoso

Se todos os homens ficassem felizes assim...


Aderildo, o diretor. Será que ele está pensando na mala com roupas, celular e documentos que perdeu no nosso naufrágio?


Na casa de seu Carmona, referência comunitária em Carmelino.



Observando as expressões dos moradores de Carmelino durante a apresentação do programa de rádio da Embrapa, o Prosa Rural.



Desce daí, menina!!!




*A Resex está localizada no município paraense de Porto de Moz, na região do Baixo Amazonas, no encontro das águas dos rios Amazonas e Xingu. A Reserva foi criada em 2004 e ocupa 74% do território de Porto de Moz, e divide-se em 58 comunidades, espalhadas por 31 localidades.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O queijo da búfala

Coluna - Diário de Bordo

Fotos: Talmir Neto

Marivaldo, o homem do queijo.


Na Resex Verde Para Sempre, em Porto de Moz (PA), criar búfalos faz parte da vida das pessoas. Os avós faziam isso, os pais faze isso e os filhos parecem continuar no mesmo caminho.É da criação desses animais que sai o sustento das famílias, especialmente, da produção de queijo, como faz Marivaldo Nazaré Pires, de 35 anos. Morador da comunidade Santa Luzia, próxima a Cuieiras, ele passava numa rabeta em frente ao local para levar queijo ao irmão quando um dos integrantes da itinerância o chamou para dar uma palavrinha. Resultado: uma explicação completa de seu Marivaldo de como fazer o melhor queijo de búfala do pedaço. Mas isso eu não vou dizer, hehehe.

Aprendendo a receita


*Claro que comemos queijo, gentilmente oferecido por seu Marivaldo. Só posso dizer que estava bom demais. Agora, só quero comer queijo de búfala, hehehe.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Enfim, Cuieiras.

Coluna - Diário de Bordo
19 e 20 de outubro de 2010

Fotos: Árniton Batista, Renata Baía e Talmir Neto

Voltando antes mesmo de chegar em Cuieiras...


Em direção à Cuieiras. Na terceira tentativa......


Na primeira tentativa afundamos. Na segunda, encalhamos. Na terceira finalmente chegamos à comunidade de Cuieiras, na *Reserva Extrativista Verde Para Sempre, localizada no município de Porto de Moz, no Pará. A comunidade é uma das 58 existentes na região, que se espalham por 31 localidades. Cuieiras fica na zona de várzea da Resex. As famílias tiram das águas do rio o que precisam para continuar existindo. A criação de búfalos, a produção de queijo, a pesca artesanal e a produção de farinha de piracuí - feita de um peixe muito apreciado na região, o acari - garantem a sobrevivência das famílias.

Ajeitando o microfone do seu Luís.


Encontramos seu Luís Moura, de 63 anos, na comunidade. Eel cria abelhas indígenas sem ferrão, a chamada meliponicultura. Através de um projeto de geração de renda na Reserva, a Embrapa Amazônia Oriental realizou, entre outras atividades, um curso de capacitação em meliponicultura no local. A meliponicultura é a um potencial produtivo existente em Cuieiras. No curso, os moradores aprenderam a construir um modelo de caixa, adaptado pela Embrapa, onde ficam os ninhos para a reprodução das abelhas e para a produção do mel. A técnica funciona como alternativa ao desmatamento: na criação de abelhas não é preciso remover a cobertura vegetal da terra. O pólen produzido pelas espécies ajuda na regeneração da cobertura natural da floresta. O modelo de caixa padronizado facilita a divisão das colônias e a coleta dos produtos da colmeia. E como essas abelhas não tem ferrão, o produtor de mel não precisa investir em equipamentos e roupas especiais.

Seu Luís mostrando a colmeia da abelha jandaíra


Seu Luís leva nossa equipe de filmagem para conhecer o meliponário da filha, Angélica. Vai mostrando e abrindo as caixas. Explica o processo para pegar na floresta as colmeias, a forma mais correta que aprendeu, como é a criação das abelhas até a retirada do mel. E nos oferece um pouco do mel da espécie jandaíra. Eu e Renata nem pensamos duas vezes, vamos direto com o dedo numa das aberturas da colmeia. Nem preciso dizer que achei delicioso, um mel levinho, levinho e bem fresquinho, hehehe. "É um mel mais limpo", na definição de seu Luís.

Provando na fonte...


Quando terminávamos a entrevista, ele nos premia com uma reflexão sobre sua própria vida, o tanto de mata que já destruiu, queimou, sem saber e se dar conta do mal que fazia à natureza e a si mesmo. Mas hoje ele entende muito bem que o caminho não é esse.

O criador de abelhas indígenas sem ferrão.

*A Reserva foi criada pelo Governo Federal em novembro de 2004 e funciona como uma unidade de conservação, organizada para proteger os meios de vida dos povos que moram na região e para asssegurar o uso sustentável dos recursos naturais. A área ocupa 74% do território do município de Porto de Moz e é utilizada pelas populações tradicionais que vivem do extrativismo, da agricultura de subsistência, da criação de animais e da pesca artesanal.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio,vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, administra todas as unidades de conservação existentes no Brasil. A Coordenação Belém, do ICMBio, é responsável pela gestão socioambiental da Resex Verde para Sempre, e de outras unidades que ficam no
território amazônico.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Os bastidores de uma itinerância

Coluna - Diário de Bordo

A itinerância para fazer um vídeo na Resex Verde Para Sempre que virou naufrágio, experiência de vida e história para contar.

Fotos: Yorranna Oliveira, Renata Baía, Talmir Neto

Afundamos na madrugada de terça-feira, 19, por volta das 5 da manhã. Acordamos com o grito de aviso de um dos tripulantes: ‘vão para o outro lado barco, que tá entrando água no barco’. Eu pulo da rede com o barco Miritituba completamente virado para a direita. A água do rio Uiuí o invadiu numa velocidade de segundos. Acordamos com águas varrendo tudo. O barulho do freezer rangendo o chão ao mesmo tempo que o grito de Elson, nosso salvador, rasgava o silêncio da noite.

Meus pés sentem a água gelada. Me seguro na rede para tentar subir para o outro lado. Escorrego. Temo que o barco vire de uma vez sem que eu consiga chegar ao outro ponto da embarcação, que eu bata a cabeça na virada, me afogue e morra. Mas ao mesmo tempo eu tenho certeza que não vou morrer. Peço ajuda para outra integrante da equipe que já tinha conseguido se atracar na parte segura do Miritituba. Ela pega minha mão e me ajuda a subir. Me sinto segura de novo. Peço a proteção divina, o coração ainda bate acelerado. Ajudamos Maria do Céu a também subir. E outra integrante fala de algum ponto do barco que não sabe nadar. Os meninos vão ajudá-la. Mais tarde sabemos que ela não tinha entendido o aviso e já acordara com a água dentro da rede. Não conseguiu subir. Dois a seguram pelos braços. E um terceiro, Árniton, a empurra com um dos pés.

Miritituba nas águas do rio Uiuí

Jair chama pelo nome dos integrantes da equipe. Pergunta se todos estão bem. Ouvimos o barulho de um motor de barco. É seu Icles vindo de sua casa ajudar. Embarcamos no pequeno barco. Vejo minha toalha pendurada. Peço para um dos rapazes do Mirituba pegarem pra mim. Minutos depois chegam dois repelentes, os carapanãs iam começar a fazer festa. Do Céu, Renata e eu tomamos quase um banho com cada um deles. Abro minha bolsa ensopada que, num dos mergulhos, Árniton recuperou. Notas fiscais, bloquinhos de anotações, celular, máquina digital, agenda de contatos. Tudo molhado. Outra bolsa é achada no meio da água, a minha, onde estava o dinheiro da viagem. Como era de se esperar, também molhada. O notebook também vem na leva. Outras malas e equipamentos vão sendo encontrados e colocados no barco de seu Ícles e na voadeira que vinha a reboque no Miritituba.

Pergunto a seu Icles se há muito jacaré e piranha por aquelas águas. Ele diz que sim e como. Ou seja, poderíamos não morrer afogados, mas comidos por jacarés ou piranhas seria bem provável. Seu Ícles nos leva para a casa dele, a poucos metros dali. Pergunto se ele já tinha visto algum acidente do tipo. Diz que nos 20 anos que mora por ali nunca tinha presenciado.

O popopô do resgate


Seu Icles viu quando nosso barco passava pelo rio que corta a Comunidade Andrade e Silva, localizada na Resex Verde Para Sempre, a cerca de 50 minutos de Cuireiras, a primeira comunidade de nossa jornada pela Resex. É tempo de seca nos rios da Reserva e o Uiuí é estreito, poderíamos ter encalhado em algum ponto do trajeto. De sua casa, seu Icles vê o barco tombando e chama um primo que mora e trabalha no lugar para prestar socorro.

Missão 2: Salvar o que restou


Olha aí o Árniton consertando o carregador de baterias da câmera. Campeão de mergulhos no barco para recuperar bagagens, equipamentos e comida


O sol aparece no horizonte no Retiro Andrade Silva, na Comunidade Monte Sinai. A mulher de seu Icles, Ângela, nos oferece café, conversa conosco e vamos compartilhando vivências, conhecendo aquele novo mundo que não estava previsto na itinerância. Os rapazes trazem mais bagagens e materiais para o trapiche da casa de nossos acolhedores. Saem de voadeira pelo rio atrás do que foi embora com a correnteza.

Indo atrás do prejuízo...Perdemos tripé, microfone, comida, roupas. Mas recuperamos outras tantas.

O sol vai ficando forte e começamos a colocar tudo para secar, na tentativa de recuperar o máximo possível de material. Perdemos o tripé da câmera, que ficou intacta graças ao case impermeável. Foi a primeira coisa que Árniton saiu atrás, depois de constatar que não morreríamos e o barco não afundaria mais do que afundou. Nos reunimos para decidir se iríamos continuar ou se abortaríamos a missão. Decidimos seguir até Cuieiras para gravar as imagens do vídeo sobre a Reserva Extrativista (Resex) Verde Para Sempre, como previsto no roteiro. A última comunidade, Itapeua, foi tirada do nosso itinerário. As condições de navegação por ela eram as mesmas da de Cuieiras, preferimos não arriscar.

O comandante que foi ao banheiro


Todos queriam falar com parentes, amigos, chefes. Mas celular não pega nas comunidades próximas e nem telefone público, como veríamos na comunidade de Carmelino, via satélite há. A única forma de comunicação é o rádio. A da casa de seu Ícles estava sem bateria. Do barco, Louro, o piloto do Miritituba no momento do acidente, tentava entrar em contato com o dono da embarcação que mora em Porto de Moz.

Louro, o piloto do naufrágio, tentando falar com o povo de Porto de Moz.


Aos poucos vamos entendendo o que aconteceu. A seca do rio Uiuí, a maior já vivida pelos ribeirinhos nos últimos anos, foi nossa faca de dois gumes. Tivemos sorte de não encalhar e afundar antes. O barco passou em cima de um tronco, que furou o porão (podre segundo os mergulhadores) do Miritituba. Elson, o piloto da voadeira que nos conduziria pelos rios mais estreitos e rasos, dormia na parte de baixo do barco viu a água entrando no barco e correu para nos avisar.

Foi este rapaz quem avisou que deveríamos sair de nossas redes.


O capitão do barco estava no banheiro no momento do acidente. Louro passou por cima do tronco, o barco balançou fortemente, tinha acordado poucos segundos antes. Estava com vontade fazer xixi, mas fiquei com preguiça de levantar. Senti o balançar da rede que quase me faz cair. O barco volta e segue de novo. O freezer escorrega, Elson grita e o resto todo mundo já sabe. Se o acidente tivesse acontecido no Rio Xingu ou no Amazonas, dificilmente eu estaria compartilhando esssa história. Possivelmente teria virado manchete de jornal.

Depois do almoço vamos para Cuieiras. Árniton faz imagens do rio, dos pássaros, dos peixes, dos búfalos caminhado por terra e água. A criação de búfalos garante o sustento das famílias da Zona de Várzea da Resex, associada a pesca artesanal e a produção de farinha de peixe. A paisagem favorece belas imagens captadas pela câmera Full HD que levamos (high difintion total). O rio Uiuí é farto em acaris que brincam de pira nas águas. A água fica pipocando de tanto peixe que tem. Não é à toa que o povo de lá faz farinha com o acari, a chamada farinha de piracuí. Na região o queijo de búfala é vendido na porta das casas para os passantes. Ele passa por um processo de fritura, além de outros detalhes que conto depois. O resultado garante um queijo de comer de joelhos de tão bom. Aprovadíssimo.

Trepando na cerca em busca do melhor ângulo


Terra de búfalos...




A quinze minutos de Cuieiras, encalhamos. Resolvemos voltar no dia seguinte com a maré enchendo para não correr riscos de novos encalhes. Mais imagens no caminho. Muitos búfalos. Entrevistamos um vaqueiro. Novas imagens. Árniton pira nas imagens. E mais búfalos ao longo do caminho, novas pirações.

Iríamos embora no final da tarde da casa de seu Ícles. Mas novos contratempos nos fazem ficar e só ir embora na tarde do dia seguinte. Um novo barco de Almeirim, o Sarraf Junior, nos pegaria ali perto na viia Aquiaqui, às margens do rio Aquiaqui, onde botos aparecem de minuto a minuto e pulam feito criança para deleite de nosso olhos. O Sarraf Junior nos acompanharia até o fim da itinerância por mais duas comunidades (Carmelino e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, mais conhecida como Arimum) da Resex.

O casal de salvadores, os primos Icles Andrade da Silva e Ângela Andrade da Silva. Quinze anos de casamento, dois filhos, o Gustavo, de 3 anos e Daniel, de 8 meses.


Providencial sofrermos o acidente perto da casa de seu Icles. Tivemos onde comer, descansar, organizar as ideias, dormir. Tivemos acolhida e proteção do temporal que caiu na noite de terça-feira. O céu queria desabar naquela noite. Muita água, relâmpagos e trovões caíram do alto. Dormimos todos amontoados na sala. Uns pelo chão, outros pelo sofá. Pelos donos da casa dormiríamos no quarto quentinho deles, preparado para nos receber. No entanto, ficamos com vergonha de aceitar. Já estávamos abusando demais da gentileza do casal e, de certa forma, atrapalhando a rotina deles.

domingo, 24 de outubro de 2010

O começo

Coluna Diário de Bordo – 18 de outubro de 2010

Nossa itinerância pela Reserva Extrativista Verde Para Sempre começaria na noite daquele mesmo dia. Eu e o cinegrafista Árniton viemos de balsa o trajeto inteiro, mas há os que vem por outros caminhos. Essa outra jornada dura cerca de 10 horas, começou de avião na capital paraense com destino à Altamira. Lá, enfrentaram em torno de 47 km de carro até Vitória do Xingu, onde pegaram uma lancha que os trouxe ao município. Haja fôlego com tantas mudanças de condução.

Ainda em Belém, combinamos o encontro no Hotel Mirante do Porto, onde eu e Árniton ficamos hospedamos. Outra parte da equipe sai para comer com a promessa de voltarem meia hora depois para visitar nosso primeiro entrevistado, um representante do Comitê de Desenvolvimento Sustentável (CDS) do local, já que o coordenador - geral, Jomabá, só estaria na região na quarta-feira. E volta com o tempo estourando para o primeiro entrevistado. Nos dividimos entre um táxi e dois moto táxis. Ao todo sete pessoas de um lado para o outro em Porto de Moz. Ganhamos um agregado: Árniton arrumou um auxiliar de cinegrafista ainda pela manhã, o Aderildo, que ficou conhecido entre nós como diretor, alcunha criada por Árniton.

Paramos no Comitê com a luz da tarde começando a desaparecer. Nada bom para quem precisa da luz para filmar. O cinegrafista faz imagens externas do CDS. A entrevistada tinha saído. E foi um liga e liga de lá para contornar o contratempo. Otaviano surge para nos guiar pela cidade. Perguntamos se ele conhece alguma pessoa que tenha feito um dos cursos de biojoias e embalagens realizados pela Embrapa. Ele diz que sim e nos leva à dona Cleonilce. Simpática senhora que mora em uma casa de madeira e vende artesanato, chopp e gelo como informa a placa, pendurada do lado de fora da residência.

No final da entrevista, ganho um par de brincos em formato de golfinho feito de casa de coco, e uma prendedor de cabelo criado a partir do chifre de boi ou búfalo (não lembro qual dos animais, mas deve ser de búfalo já que esse é um animal muito comum na área). Agradeço a gentileza e me despeço com meus presentes. As equipes se dividem para agilizar e acertar os detalhes da viagem logo mais à noite.

No trapiche da cidade, o barco Miritituba esperava os navegantes. O jantar já estava pronto. Frango guisado com verduras e milho, arroz, suco de goiaba. Tudo deliciosamente preparado por dona Maria do Céu, cozinheira de mão cheia que nos acompanharia até o fim da itinerância. O tempero da fome aliado ao capricho da comida me fez comer até o último grão de arroz. Parabéns pra dona Maria do Céu, nome dedicado à mulher dele, morta durante o parto após sofrer uma hemorragia. Do Céu seria celestial nas próximas horas e dias da expedição pela Resex, e como seria.